quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Uma casa de tijolos, por favor!



Que o tempo passe e eu não fique apenas marcando no calendário o término de cada dia e finalmente o fim de mais um mês ansiosa para a chegada do réveillon, querendo um novo ano, para uma nova possibilidade de ser diferente e fazer tudo diferente do que fiz. Que eu perceba meu futuro hoje queira hoje e na falta de oportunidade para fazer hoje, faça amanhã sem pressa nem urgência, mas apenas com o desejo de realizar.
Trocar a cor das paredes do meu castelo imaginário já me está sendo muito cansativo. Quero uma casa de tijolos, sem reboco, com problemas reais para soluções reais. Um caixote transformado em puff. Reinventar, transformar. Mudar a cor do cabelo, abandonar aquelas mesmas roupas, o mesmo batom, o estereótipo de homem e mulher. Preciso ser convocada ou receber um chamado divino que me impulsione ao ato: ― Mulher, mude! Mas a voz precisa ser de ordem mesmo, firme. Precisa me fazer estremecer, me motivar. Sair da zona de conforto não é tão fácil quanto parece. Abandonar o meu castelo que levei anos para construir, fazendo dele um lugar perfeito para se morar, será tão difícil. Por isso, preciso de ajuda. Quero a casinha de tijolos e sei que além de querer preciso dela, ela me fará melhor, acredito que nela serei vista, e sem tantos estímulos poderei me enxergar melhor também. No castelo, cada dia durmo num quarto diferente, me ocupo com o vasto jardim, me perco na biblioteca lendo os romances, me envolvendo com Romeu, Noah, Edward entre outros. Mas no fim, durmo só. Chega! Não quero mais o castelo. Quero uma casinha, que se não for de tijolos, pode ser de sapê, como diz a música, mas que tenha o meu João dentro dela, não precisa ser tão dedicado, nem morrer por mim. Só precisa ser de verdade e meu, fazer parte da minha vida, ter cheiro bom e deixar o seu cheiro em mim. Que ele me ajude a dar vazão a essa nova mulher que tem me perturbado como um alien querendo passagem para nascer.
Um questionamento frequente tem sido este: preciso de alguém pra ser melhor, para que essa mulher possa emergir? Cheguei à conclusão que não. Mas sou uma romântica total. Criatura alimentada desde a infância pelos contos de fadas, sonhando com o príncipe encantado e o amor perfeito. Fui crescendo e vendo que os relacionamentos não eram tão perfeitos, então escolhi viver do meu jeitinho particular, me protegendo com uma armadura invisível. Me protegi dos olhares e toques me defendendo assim, do outro e de mim. Dessa forma, “ganhava” tempo pra pensar numa outra forma de adiar o confronto com o real, o amor nem tão perfeito, o príncipe nem tão príncipe, mas que possa me encantar. Que ame a princesa que não sou, mas que me faça uma mulher feliz.
Minha oração de hoje foi: ― Senhor, que o tempo passe e eu passe sentindo e vivendo, não apenas vendo o que passou passar. Que o tempo passe e eu saiba que o que passou foi e não será mais igual ao presente. Que eu não ignore as horas, os dias, os meses e os anos. Que eu não evite o espelho com medo de ver as marcas que o tempo deixou. Que eu me ame e permita aos outros me amarem. Que eu seja feliz. Amém.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Quero...


Que chegue até você o meu sentimento
Que chegue o meu melhor sorriso
Que chegue o meu abraço
Que eu chegue
Que você chegue e sinta
Que você olhe e perceba
Que você não queira ir
Que eu queira mais
Que o tempo pare
Que você mergulhe
Que eu te afogue
Que eu tenha medo
Que você me acalente
Que eu fique cega
Que você me abra os olhos
Que você não entenda
Que eu explique
Que eu não possa
Que você permita
Que eu ceda
Que você ceda
Que as flores caiam
Que floresçam outras
Que eu chore
Que você enxugue as lágrimas  
Que eu ame
Que você ame
Que não seja perfeito
Que aconteça
Que não seja pra sempre
Que você marque
Que eu não pertença
Que eu tenha
Que você seja
Que eu encontre
Que seja uma troca


sábado, 25 de agosto de 2012

Papo entre amigas



Amiga 1

“Meu amor é prefeito! Não brigamos, discutimos bem pouco, na verdade quase nada. Concordamos em tudo e com tudo quase sempre. Um lindo casal! Realizamos mutuamente os nossos desejos. Todos! Isso inclui os sexuais. Temos o mesmo gosto musical, sou super caseira e ele também, amamos massa o que faz com que nossos finais de semana sejam regados de muita pizza ou macarronada especial, receita da vovó. Hum... Eita vida boa! Sorte de principiante? Não! Ele não foi o meu primeiro amor, acho que é quinto ou o sexto, não sei ao certo. Amor da minha vida... Que dure anos, que seja pra sempre. Se com apenas oito meses é tudo tão lindo, imagine com o tempo...”

Amiga 2

“Com o tempo... Com o tempo eu aprendi a rir da cara dele quando digo que não quero ir aquele show que ele tanto gosta. Em casa, eu até curto ouvir as músicas barulhentas que dizem coisas que não entendo, elas me ajudam na hora da faxina, então não reclamo. Gosto de vê-lo tocando sua guitarra imaginaria, às vezes tenho uma também. Segredo nosso! E ele embora diga que não gosta do meu samba de raiz, por vezes distribui elogios a alguma letra e direciona a mim, um olhar doce, meio safadinho quando estou sambando me achando a melhor das passistas. Se quero pintar as paredes da sala de cereja ele quer amarelo canário, para resolver o problema pintamos de laranja, apenas uma delas, não precisa ter um sol dentro de casa. Amo comer peixe e ele odeia até o cheiro. No churrasco, gosto da carne ao ponto e ele bem passada. Gosto de acordar tarde, mesmo não sendo possível, e ele adora acordar cedo. Gosto de vinho, ele de cerveja. Eu sou da realidade e ele vive sonhando... Amo olhar o mar e ele se a acha o tubarão, adora mergulhar, nadar. Ele gosta de cachorro e eu também. Hêêêê! Finalmente algo em comum. Temos dois, Hulk e Lily. Ele é flamenguista eu sou vascaína. Ele sempre bagunça o banheiro, mas quando peço com carinho ele arruma. Ele não gosta do meu biquíni e quando pede com carinho, eu troco.  Quando o conheci não vi graça, inclusive as piadas que contava eram sem graça alguma. Ele não era o príncipe que eu sonhava. O sexo? Com o tempo e sem grandes malabarismos, tentamos  uma loucura do kama Sutra, que sempre termina em gargalhadas e sem nenhum orgasmo. Ele desvendou os segredos do meu corpo, e  assim descobrimos “nossas” posições. Encontramos o nosso encaixe perfeito, o nosso tempo e jeito.Tem dias que sou eu mesma, mas as vezes ele solicita a Angelina Jolie que mora dentro de mim e naquela noite nos traímos, ele pega a tal Jolie e eu o Brad Pitt. Rsrsrsrsrs Calculando rapidamente, temos dois anos de namoro, sete de casamento e dez anos que nos conhecemos. Só me dou conta desse tempo, quando sou questionada, e sempre me assusto. “Nossa! Isso tudo?” Não sei como pode ter durado tanto tempo, na verdade, sempre tenho a sensação de que o conheci ontem, e de fato a cada dia o conheço um pouco mais e ele descobre um novo defeito ou uma qualidade minha. Talvez seja este o segredo. Não conto. Vivo!  Pois bem, que seja eterno o meu “amor imperfeito.” 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Foi assim...




Certa vez pude presenciar a chegada da chuva. Foi assim: abri o portão de casa pronta para ir à faculdade, mas ao olhar para o horizonte vi uma nuvem em movimento, muito rápida e densa, com muita água caindo dela, mas não estava caindo em mim. Ainda não! Fiquei ali parada olhando, tentando entender. Pensamento bobo: “vai chover?” Bom... O que aconteceu? A chuva chegou e me molhou toda. Abri o portão e voltei pra casa. Tirei a roupa molhada, que inclusive não era própria para um dia de chuva, pois estava sol antes. Sequei-me, abri o guarda-roupa, escolhi um novo modelito, mais apropriado para me proteger do vento (ventava muito). Pensei: “tenho sombrinha?”. Fui procurar e encontrei. Agora, eu estava pronta para sair. Desse dia só me lembro disso, se me perguntarem o que aconteceu depois, não sei dizer. Não lembro. Só sei que a chuva cairia mesmo que eu não quisesse e que chover foi algo que não pude evitar. Sei também que ficar parada esperando que ela caísse, foi uma escolha minha, mas não a ignorei... Ficar molhada foi consequência da minha escolha. Mas no fim, decidi enfrentá-la. Armei-me, munida de uma sombrinha e fui para a batalha. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sobre o amor. Ops!!!! Sobre a amizade.



De repente a gente se encontrou. Eu não sabia nada sobre você e você tão pouco sabia sobre mim. Nossa conversa inicial foi quase monossilábica: Oi! Tudo bom? Bom dia! Mas algo fez com que esse encontro acontecesse. Um lugar, um momento, outra pessoa. E aí, agora eu sei o seu nome e o que você tem em comum comigo, essa tal “coisa” que nos aproximou. E dentro de todas as possibilidades e pessoas nós nos atraímos. Sua energia e a minha se misturaram e só não deu samba, por que você curte rock e eu MPB.
Com o tempo, nossas conversas deixaram de ser limitadas, passamos a falar mais sobre nós, nossos sonhos. Passamos a confiar nossos segredos, dividir nossas alegrias e tristezas. Hoje, sua casa é quase a minha. Sei suas músicas prediletas e posso reconhecer pelo tom da sua voz quando você está bem ou não. Sei suas neuroses, chatices, o que te faz rir e como te fazer rir. Conheço na pele alguns dos seus defeitos. A gente discute, discorda, troca “verdades” dolorosas, mas no fim nos entendemos. Queremos o bem e a felicidade mútua. No fim, tenho sempre a certeza de que em você posso encontrar o meu colinho sem questionamentos, sem julgamentos, só o colo. Sei que pra você posso ligar pra falar bobagens, conversar sobre sexo e fantasias loucas, sobre meus pecados, minhas ideias malucas, pedir socorro na TPM e inclusive pra reclamar que você não me liga, quase nunca. Por que você é assim, hein?
Com você aprendi a dividir, aprendi a sentir saudades de coisas simples, aprendi a conhecer e respeitar o diferente. Por vezes me pego cantando aquela música chata que você vive escutando, a sua cara.
Para meus filhos quero a sua presença, que eles se misturem com os seus. Seria tão bom que os laços um dia pudessem ser sanguíneos. Sim, porque até aqui, o que nos uniu foi a tal “energia” que pra mim tem nome, Deus. Ele em sua sabedoria e conhecedor de todas as necessidades e de todas as coisas que carrego em meu coração sabia que você era a pessoa certa, a pessoa que eu precisava ter na minha vida. Pecinha fundamental que quase sempre me ajuda a completar o meu quebra-cabeça. Às vezes tô tão confusa, tão perdida que não enxergo a saída, aí você vem e me diz que também não sabe qual o caminho, a solução, mas me acalma dizendo que vai dar tudo certo, que preciso ter paciência. E como eu não podia saber disso? Quando o papel se inverte são essas as palavras que te digo.
Quero dizer que admiro muito você, que desejo sua felicidade, que oro por você, pela sua família que é a minha também, que te amo, assim desse jeito que você é.  Agradeço muito à Deus por ter me presenteado com a sua amizade, por poder te conhecer cada dia mais e mais. E como diz a canção “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito” e você estará lá, sempre! Amém!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Colírio

Meus olhos estão embaçados e devem permanecer assim, pois agora não terei forças para enxergar nem suportar as agressões externas. No momento certo eu sei que você colocará um colírio, uma gota de realidade que me fará enxergar com clareza quem você é. Talvez nesse momento, eu ainda não esteja pronta para ser agraciada com o bom tempo, onde as nuvens nebulosas serão retiradas de mim. Talvez eu tenha medo de ver a tristeza, de conhecê-la. Ou talvez esteja apenas querendo adiar esse confronto. Com os olhos limpos e enxergando a realidade sou atacada de forma direta, não que isso seja ruim. É sempre bom descobrir, conhecer... O problema é que quando sou pega de surpresa não tenho defesas prontas, não sei como agir. Fico decepcionada. Decepcionada, mas bem. Porque a decepção também foi o meu colírio bom. Quando tudo ficou claro, você me possibilitou crescer, aprendendo mais sobre mim. Meus olhos não perderam a névoa por completo e nem a perderão. Entendi que precisa ser assim, algumas coisas não devem ser vistas, precisam ser ignoradas, escondidas e guardadas para que nossa relação continue, para que ela exista e para que eu possa seguir.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vou tentar...



Vou ficar longe, me afastar, ocupar minha mente na tentativa de não ficar. Quero esquecer, fugir, fingir que não percebo você. Quero congelar meu sentimento sem correr riscos, sem surpresas. Estou condensada pra você, porque você quis assim e me fez assim. Quero que o vento leve essa nuvem carregada pra bem longe de mim. Cair aqui e nesse momento, não seria bom.

Não quero as lembranças, porque dessa forma você fica mais próximo de mim, mais dentro. Quero você fora. Sem poderes, sem domínio, sem comando, sem voz ativa. Preciso reassumir a direção, o controle, programar o meu despertar para outro horário que não seja o do seu bom dia. Preciso pegar outras estradas, olhar atentamente as sinalizações. Antes, no carona eu era levada... Tinha o hábito de fechar os olhos e sentir a brisa, só sentir...

Quero te olhar sem medir, sentir, lembrar, sorrir e principalmente sem querer...

Hoje acordei e vi o sol... Quero ser seduzida por ele, e que apenas ele me aqueça.


Eloyze Maria.